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21 de dezembro de 2008

Quelques Fleurs



Quelques Fleurs


O ano de 1912 foi o ano das artes. Marco do início do Cubismo Sintético, tendo como representantes Picasso e Georges Braque, 1912 também foi o ano da famosa coregrafia de Nijinsky, "Afternoon of a Faun". E foi nesse clima de cultura modernista, que ocorreu o lançamento do atemporal Quelques Fleurs.

Criado pelo perfumista Robert Bienaimé para a maison Houbigant, e considerado como o primeiro multi-floral, esse bouquet aldeídico foi de uma extrema modernidade para a época.

O nome da fragrância é uma referência ao emblema da primeira loja de Jean-François Houbigant, "A la Corbeille de Fleurs", que funcionava no n° 19 da Rua do Faubourg Saint-Honoré, em Paris. Durante muitos anos, Quelques Fleurs foi o perfume mais vendido da marca, sinônimo de classe e prestígio.

Uma bela composição onde notas de rosas, violetas, lírios, flores-de-laranjeira, cravos e heliotrópio são balanceadas pela presença do ambre e da bergamota. O efeito geral é um odor doce e encorpado sobreposto a um fundo de tabaco. Eu normalmente não gosto da presença de tabaco nos meus perfumes, mas, no caso presente, as notas são tão leves, que meus preconceitos foram vencidos.

Denso, complexo, feminino e de uma opulência elegante, esse é o tipo de fragrância que atrai comentários. O poder de fixação é ótimo (mais de 6 horas, na minha pele) e um rastro floral doce paira no ar, a cada movimento.

Perfume intimista e romântico, Quelques Fleurs foi usado por um público feminino diversificado. Da clássica Sarah Bernhardt a burlesca Dita Von Teesse, de Kelly Rowland a Nicky Hilton, passando por Nicole Richie, Quelques Fleurs parece transcender diferentes épocas e personalidades.


Ilustração à direita - Frasco vintage de Quelques Fleurs
Ilustração à esquerda - Glass and bottle of Suze, de Pablo Picasso - 1912

19 de dezembro de 2008

Houbigant



Houbigant


Tudo começou quando o jovem Jean-François Houbigant, de então 23 anos, chegou no local da sua recém-adquirida loja, situada no no 19, do Faubourg Saint-Honoré, em Paris, com um cesto de flores.

Em 1775, o Faubourg Saint- Honoré era o endereço nobre de Paris, ponto de encontro da sociedade da época. O cesto de flores torna-se o emblema da marca, e Houbigant prospera.

A mais famosa das suas supostas clientes foi Marie Antoinette (Maria Antonieta). Diz a lenda que, no episódio da fuga à Varennes, quando a carruagem real foi interceptada, e Luis XVI e sua família presos, Marie Antoinette usava uma criação de Houbigant.

Outros apaixonados pela marca conheceram uma sorte melhor do que a da trágica rainha deposta. A princesa Adelaïde de Orleans, bem como a Imperatriz Eugénie e seu marido, Napoleão III, constaram na lista de clientes da famosa maison. Houbigant foi também fornecedor oficial da corte da rainha Victoria, da Inglaterra, bem como da maioria das cortes européias.

Após sua morte, em 1807, Jean-François foi sucedido por seu filho, Armand-Gustave. Em 1880, Paul Parquet torna-se co-proprietário da marca, começando o processo de expansão.

Em 1882, foi lançado o belo Fougère Royal, fragrância que definiu um novo grupo olfativo, o fougère. O período de 1900 a 1910 foi agitado pelos lançamentos de fragrâncias como Le Parfum Idéal (1900), Cœur de Jeanette (1908) e Parfum Inconnu (1910).

O mundo da perfumaria foi surpreendido pelo lançamento de Quelques Fleurs, em 1912. Considerada como a primeira fragrância multi-floral, Quelques Fleurs foi composta pelo protégé de Paul Parquet, o perfumista Robert Bienaimé.

Em 1935, Bienaimé deixa Houbigant para fundar sua própria maison, Parfum de Bienaimé. Houbigant contou a inventividade de outros perfumistas, como Paul Schving and Marcel Billot – esse ultimo, criador de Chantilly (1941).

Não suportando as dificuldades econômicas dos tempos modernos, Houbigant declara falência em 1993. Em 1994, Houbigant é integrada ao grupo Renaissance Cosmetics. Um novo processo de falência é declarado por Renaissance em 1999, após a morte de seu fundador, Thomas Bonoma. No mesmo ano, Renaissance é vendida a New Dana, que atualmente detém o direito à usagem do nome Houbigant, ligando o mesmo à fragrâncias mais recentes.

Do majestoso passado restam apenas alguns perfumes reformulados, entre os quais o cult e eterno Quelques Fleurs, e a lembrança de tempos mais belos.


Ilustrações - primeira à direita - Jean-François Houbigant
- primeira à esquerda - o bouquet - emblema da marca Houbigant
- segunda à direita - Marie Antoinette, por Madame Vigée-Lebrun - 1783
- segunda à esquerda - publicidade de Houbigant


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