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9 de dezembro de 2008

Fleur de Comores e Vanilia


Fleur de Comores e Vanilia


O que mais me impressiona em Fleur de Comores, fragrância elaborada em 1988, e lançada em 1989 pela marca « Maître Parfumeur et Gantier » é sua similaridade com outra criação de Jean Laporte, Vanilia, de "L’Artisan Parfumeur", lançada em 1978.

Comparando as notas olfativas :

Fleur de Comores : Groselha, maracujá, folhas verdes (abertura), baunilha, flor-de-laranjeira e jasmim (corpo), numa base de âmbar , vetiver e almiscar

Vanilia : Ylang-ylang, baunilha, âmbar e sândalo

Apesar das diferentes notas, e da maior complexidade de Fleur de Comores, as duas fragrâncias têm a mesma característica de « baunilha amadeirada ». Ambas são perfeitas para quem quer usar um perfume de baunilha, sem o lado doce e enjoativo. Uma « baunilha para adultos », assim eu classificaria Fleur de Comores e Vanilia.

Enquanto Vanilia é um pouco mais séria, Fleur de Comores brinca com uma nota tropical, que talvez venha da junção do jasmim à baunilha. Fleur de Comores também parece carregar um pouco menos no âmbar, e, ao menos na minha pele, tem um poder de fixação consideravelmente maior. Porém, em ambos os casos, a idéia básica é a mesma - uma baunilha «quente» e ligeiramente amadeirada, e o resultado final, extremamente similar.

Tanto Fleur de Comores quanto Vanilia são adaptáveis a vários climas. Indicaria o uso de ambas para os dias mais frios, pelas notas amadeiradas. Também poderia sugerir as duas fragrâncias para os dias mais quentes – por não serem extremamente doces, e Fleur de Comores, por seu toque tropical, en plus.

E quem disse que baunilha era coisa de criança ?!!


Ilustração ao alto - Fleur de Comores, de Maître Parfumeur et Gantier
Ilustração à direita - Vanilia, de L'Artisan Parfumeur (frascos 50ml e 100ml)





Maître Parfumeur et Gantier


Maître Parfumeur et Gantier


Em 1989, Jean-François Laporte criou "Maître Parfumeur et Gantier", apos ter deixado sua outra empresa, fundada em 1976, L’Artisan Parfumeur.

A inspiração para "Maître Parfumeur et Gantier" foram os mestres perfumistas e fabricantes de luvas, muito em moda na Paris do século XVII.

No século XVII havia um provérbio que dizia que um par de luvas, para ser perfeito, devia ser preparado na Espanha, talhado na França e costurado na Inglaterra. No entanto, as luvas perfumadas na Espanha possuíam um odor muito forte para o gosto feminino francês. A partir de então, a fabricação e aromatização de boa parte dessas luvas, sobretudo as de pele, passou a ser feita no próprio pais.

Curiosidade - Um dos maiores mestres perfumistas e luveiros foi Jean Chabert, cuja boutique se situava na Place des Terreaux , em Lyon, e se chamava « Au Jardin de Provence » . Monsieur Chabert também publicou um livro, falando sobre a carreira de perfumista/luveiro. Embaixo da gravura, que ilustrava o livro, podia-se ler :

AU JARDIN DE PROVENCE
Na loja de Jean Chabert, mestre perfumista,
fazem-se e vendem-se todos os tipos
de ceras da Espanha, essências e perfumes,
sabonetes e rossolis* de Turin,
em Terreaux, Lyon.


Esse foi o universo que Jean Laporte tentou evocar, criando a marca de fragrâncias masculinas e femininas (e bien sûr, luvas)
« Maître Parfumeur et Gantier ». Em 1997, a linha passou às mãos de Jean-Paul Millet Lage.



Ilustração - Jean Chabert, perfumista de Lyon no século XVII. Desenho de Bocourt, tirado de uma ilustração da época.
*Rossolis – tipo de licor feito de açucar, e de alguns tipos de frutas doces, como ameixas e cerejas




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