Sábado passado, eu estava procurando por um novo perfume quando vi mais um lançamento da linha exportação de Serge Lutens. Olhei a etiqueta do novo Lutens' baby, e qual não foi a minha surpresa ao constatar que era um re-lançamento do excelente Feminité du Bois, originalmente comercializado por Shiseido.

Elaborado por Christopher Sheldrake (autor da grande maioria dos perfumes Lutens) e Pierre Bourdon, sob a direção de Lutens himself, Feminité du Bois foi lançado em 1992, e é um dos marcos da perfumaria mundial, inspirando um enorme número de perfumes amadeirados que vieram depois.
A grande atração da fragrância é a marca registrada de Lutens - o equilíbrio perfeito entre as notas amadeiradas e um certo tom doce, resultando em um aroma exótico. Feminité abre o espetáculo com uma nota de canela, dosada por uma pitada de gengibre. A violeta chega logo após, trazendo uma delicadeza floral ao conjunto, adoçado pela união entre a ameixa e o pêssego, e harmonizado pelo cedro (em concentração de 30%), o sândalo e a baunilha, no fundo. Sei que farei-me trucidar pelos snobs de plantão, mas o resultado se aproxima imensamente a um antigo sucesso da Natura, o extinto Shiraz, lançado em 1993, ou seja, um ano após o lançamento oficial de Feminité du Bois.

A versão original de Shiseido vinha em um interessante frasco de cor vinho/ameixa, desenhado por Lutens, e o líquido rendia homenagem às florestas de cedro das montanhas do Marrocos. A fragrância era declinada em eau-de-parfum 50ml, desodorante de 100ml, creme corporal leve, bruma/emulsão sem álcool 100ml, caneta-perfume roll-on, extrato de perfume em 15 ml, e uma "eau timide", com concentração similar a eau-de-toilette, porém com propriedades hidratantes. A versão atual de exportação de Lutens não teve a formulação de base alterada, mantendo seu aroma intocado, sendo, entretando, disponível somente no típico frasco retangular de eau-de-parfum em 50ml.
Feminité du Bois (Feminilidade da Madeira) é extremamente fiel ao nome - feminino e amadeirado. E eu, apesar de não morrer de amores por overdoses de cedro, sucumbi literalmente à fragrância, que inspirou boa parte da gama "Eaux Boisées", oriunda da linha confidencial de Lutens, comercializada unicamente nos Salões do Palais Royal Shiseido, em Paris. Bois de Violette, por exemplo, poderia ser considerada como a "irmã caçula" do mítico Feminité du Bois.
Eu recomendaria essa obra-prima de Lutens a todas as mulheres ansiosas por um perfume marcante e expressivo, unindo magistralmente doçura, profundidade e mistério.
Ilustrações ~ ao alto - Feminité du Bois - nova edição (foto da minha coleção particular)
~ à direita - Jeune Odalisque au Bain, de José Cruz Herrera (1890-1972)
~ à esquerda - Feminité du Bois - edição original de Shiseido



