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8 de fevereiro de 2009

Feminité du Bois


Feminité du Bois



Sábado passado, eu estava procurando por um novo perfume quando vi mais um lançamento da linha exportação de Serge Lutens. Olhei a etiqueta do novo Lutens' baby, e qual não foi a minha surpresa ao constatar que era um re-lançamento do excelente Feminité du Bois, originalmente comercializado por Shiseido.

Elaborado por Christopher Sheldrake (autor da grande maioria dos perfumes Lutens) e Pierre Bourdon, sob a direção de Lutens himself, Feminité du Bois foi lançado em 1992, e é um dos marcos da perfumaria mundial, inspirando um enorme número de perfumes amadeirados que vieram depois.

A grande atração da fragrância é a marca registrada de Lutens - o equilíbrio perfeito entre as notas amadeiradas e um certo tom doce, resultando em um aroma exótico. Feminité abre o espetáculo com uma nota de canela, dosada por uma pitada de gengibre. A violeta chega logo após, trazendo uma delicadeza floral ao conjunto, adoçado pela união entre a ameixa e o pêssego, e harmonizado pelo cedro (em concentração de 30%), o sândalo e a baunilha, no fundo. Sei que farei-me trucidar pelos snobs de plantão, mas o resultado se aproxima imensamente a um antigo sucesso da Natura, o extinto Shiraz, lançado em 1993, ou seja, um ano após o lançamento oficial de Feminité du Bois.

A versão original de Shiseido vinha em um interessante frasco de cor vinho/ameixa, desenhado por Lutens, e o líquido rendia homenagem às florestas de cedro das montanhas do Marrocos. A fragrância era declinada em eau-de-parfum 50ml, desodorante de 100ml, creme corporal leve, bruma/emulsão sem álcool 100ml, caneta-perfume roll-on, extrato de perfume em 15 ml, e uma "eau timide", com concentração similar a eau-de-toilette, porém com propriedades hidratantes. A versão atual de exportação de Lutens não teve a formulação de base alterada, mantendo seu aroma intocado, sendo, entretando, disponível somente no típico frasco retangular de eau-de-parfum em 50ml.

Feminité du Bois (Feminilidade da Madeira) é extremamente fiel ao nome - feminino e amadeirado. E eu, apesar de não morrer de amores por overdoses de cedro, sucumbi literalmente à fragrância, que inspirou boa parte da gama "Eaux Boisées", oriunda da linha confidencial de Lutens, comercializada unicamente nos Salões do Palais Royal Shiseido, em Paris. Bois de Violette, por exemplo, poderia ser considerada como a "irmã caçula" do mítico Feminité du Bois.

Eu recomendaria essa obra-prima de Lutens a todas as mulheres ansiosas por um perfume marcante e expressivo, unindo magistralmente doçura, profundidade e mistério.


Ilustrações ~ ao alto - Feminité du Bois - nova edição (foto da minha coleção particular)
~ à direita - Jeune Odalisque au Bain, de
José Cruz Herrera (1890-1972)
~ à esquerda - Feminité du Bois - edição original de Shiseido




1 de fevereiro de 2009

Serge Lutens


Serge Lutens



Serge Lutens, atual diretor artístico da marca Shiseido, e darling absoluto da perfumaria mundial veio ao mundo no dia 14 de março de 1942, em Lille, França.

Aos 14 anos, Serge começou seu percurso na área da beleza, trabalhando como aprendiz em um salão de cabeleireiros na sua cidade natal. No ano de 1962, nosso herói se mudou para Paris, e trabalhou como maquiador, sendo logo contratado pela revista Vogue, como responsável pela maquiagem, penteados e joalheria.

Em 1968, Lutens descobre Marrakech, a cidade ocre, e se encanta com a beleza do Marrocos. A experiência terá grande repercussão nas suas criações futuras, quando o Marrocos, e a cultura oriental, servirão de inspiração para grande número de seus perfumes.

Eterno apaixonado por fotografia, Serge costumava pedir a seus amigos que posassem como modelos. Num contexto mais profissional, colaborou com fotógrafos como Bob Richardson e Richard Avedon, e teve uma série de fotografias inspiradas pelos mestres Monet, Seurat, Picasso e Modigliani, expostas no Museu Guggenheim de Nova York. Nos anos 70, Lutens também teve 2 curta-metragens exibidos no festival de Cannes.

Porém, foi em 1980 que ocorreu a associação que iria projetá-lo aos olhos do grande público. A marca japonesa Shiseido procurava alguém para desenvolver sua imagem a nível internacional, e Monsieur Lutens, com seu know-how em fotografia, cinema e make-up, era o candidato ideal. Seu trabalho foi tão bom, que dois prêmios Lion d'Or de melhor comercial internacional vieram enfeitar sua estante.

Em 1981, Serge dirige a criação de seu primeiro perfume para Shiseido, Nombre Noir. Em 1992, Shiseido lança um dos perfumes mais revolucionários de todos os tempos, na minha opinião, Feminité du Bois. No mesmo ano, foram abertos os Salões do Palais Royal Shiseido, no n° 142 da Galeria de Valois (na Rue de Valois, em Paris), aonde se comercializa a linha de perfumes exclusivos, em formato 75 ml, e vendidos somente no local. A linha de exportação, em frascos de forma retangular e conteúdo de 50 ml, é comercializada mundialmente.

Entre 2001 e 2004, Lutens foi premiado com 4 Fifi Awards (o oscar da perfumaria), na categoria melhor conceito original. E 2007 foi o ano em que o governo francês nomeou-o Comendador da Ordem de Letras e Artes.

Uma das maiores forças de Serge Lutens é o trabalho conjunto com o perfumista Christopher Sheldrake (foto à esquerda), criador da maioria de seus perfumes, e, desde 2005, diretor de pesquisas e elaboração de fragrâncias da maison Chanel.




Ilustrações ~ ao alto - Serge Lutens
~ primeira à direita - Les Salons du Palais Royal Shiseido

~ à esquerda - Galerie de Valois
~ segunda à direita -
Christopher Sheldrake


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