19 de dezembro de 2008

Houbigant



Houbigant


Tudo começou quando o jovem Jean-François Houbigant, de então 23 anos, chegou no local da sua recém-adquirida loja, situada no no 19, do Faubourg Saint-Honoré, em Paris, com um cesto de flores.

Em 1775, o Faubourg Saint- Honoré era o endereço nobre de Paris, ponto de encontro da sociedade da época. O cesto de flores torna-se o emblema da marca, e Houbigant prospera.

A mais famosa das suas supostas clientes foi Marie Antoinette (Maria Antonieta). Diz a lenda que, no episódio da fuga à Varennes, quando a carruagem real foi interceptada, e Luis XVI e sua família presos, Marie Antoinette usava uma criação de Houbigant.

Outros apaixonados pela marca conheceram uma sorte melhor do que a da trágica rainha deposta. A princesa Adelaïde de Orleans, bem como a Imperatriz Eugénie e seu marido, Napoleão III, constaram na lista de clientes da famosa maison. Houbigant foi também fornecedor oficial da corte da rainha Victoria, da Inglaterra, bem como da maioria das cortes européias.

Após sua morte, em 1807, Jean-François foi sucedido por seu filho, Armand-Gustave. Em 1880, Paul Parquet torna-se co-proprietário da marca, começando o processo de expansão.

Em 1882, foi lançado o belo Fougère Royal, fragrância que definiu um novo grupo olfativo, o fougère. O período de 1900 a 1910 foi agitado pelos lançamentos de fragrâncias como Le Parfum Idéal (1900), Cœur de Jeanette (1908) e Parfum Inconnu (1910).

O mundo da perfumaria foi surpreendido pelo lançamento de Quelques Fleurs, em 1912. Considerada como a primeira fragrância multi-floral, Quelques Fleurs foi composta pelo protégé de Paul Parquet, o perfumista Robert Bienaimé.

Em 1935, Bienaimé deixa Houbigant para fundar sua própria maison, Parfum de Bienaimé. Houbigant contou a inventividade de outros perfumistas, como Paul Schving and Marcel Billot – esse ultimo, criador de Chantilly (1941).

Não suportando as dificuldades econômicas dos tempos modernos, Houbigant declara falência em 1993. Em 1994, Houbigant é integrada ao grupo Renaissance Cosmetics. Um novo processo de falência é declarado por Renaissance em 1999, após a morte de seu fundador, Thomas Bonoma. No mesmo ano, Renaissance é vendida a New Dana, que atualmente detém o direito à usagem do nome Houbigant, ligando o mesmo à fragrâncias mais recentes.

Do majestoso passado restam apenas alguns perfumes reformulados, entre os quais o cult e eterno Quelques Fleurs, e a lembrança de tempos mais belos.


Ilustrações - primeira à direita - Jean-François Houbigant
- primeira à esquerda - o bouquet - emblema da marca Houbigant
- segunda à direita - Marie Antoinette, por Madame Vigée-Lebrun - 1783
- segunda à esquerda - publicidade de Houbigant


17 de dezembro de 2008

Petit Ange

Petit Ange


Petit Ange (ou Anjinho) de Patricia de Nicolaï é a fragrância ideal para quem quer incutir um toque de inocência aos dias quentes e sensuais de verão.

Engenhosa por sua simplicidade, essa composição de notas de mandarina, lilás e beijoim, foi originalmente criada para o público infantil.

A mandarina é a nota principal, suavizada pelos acordes florais do lilás. O toque de beijoim é tão leve, que pode passar desapercebido aos olfatos mais distraídos. O aroma global tem a suavidade de uma carícia, com um toque intimista, e, no entanto, presente.

Suavidade, inocência e frescor são as palavras-chaves para descrever essa "eau-de-senteur". Acho magistral como a criadora, Patricia de Nicolaï, soube imprimir sua assinatura à "Petit Ange". Impor uma assinatura olfativa a uma linha já é um desafio, mas conseguir essa proeza na realização de uma fragrância infantil, com um leque menor de componentes, merece aplausos.

Petit Ange é uma fragrância linear, conservando o mesmo aroma do início ao fim, sem mutações de intensidade nas notas. Apesar do apelo inicial de colônia infantil, a leveza e a pureza dessa criação de Parfums de Nicolaï, fazem da mesma uma excelente opção para aqueles dias em que queremos apenas cheirar bem. Angelicamente bem!!


Ilustrações ~ à direita - Christmas Angels, cartão-postal vintage
~ à esquerda - Kissing Angels, de William Adolphe Bouguereau






16 de dezembro de 2008

Bois d'Iris



The Different Company - Bois d'Iris


Jean-Claude Ellena, criador de Bois d'Iris, conseguiu a proeza de elaborar uma das mais belas interpretações da flor, atualmente comercializadas. Partindo do princípio de que a íris é uma das flores mais difíceis de serem trabalhadas, Monsieur Ellena venceu o desafio de captar toda a delicadeza e majestade da mesma, equilibrando o lado metálico.

A abertura lembra-me muito a também bela Iris Silver Mist, de Lutens (para o Palais Royal Shiseido). Porém, as comparações morrem nesse ponto. Enquanto Iris Silver Mist emerge numa nota metálica, criando uma aura de frieza distante, Bois d'Iris se eleva a um nível mais terrestre e material.

A aromática e etérea Iris Pallida tem seu frescor acentuado pela presença do vetiver e da bergamota. As notas de narciso e gerânio acrescentam uma certa doçura ao conjunto, enquanto a junção do almíscar contribui para o lado ligeiramente atalcado. O toque final vem da madeira de cedro, que fecha a sinfonia, impondo um caráter mais quente e pessoal.

Eu não sei qual, ou quem, foi a inspiração para esse maravilhoso perfume. Porém, Jean-Claude Ellena criou o equivalente olfativo à divina Sarah Bernhardt, com todos os seus contrastes. Etérea e terrestre; distante, mas acessível; majestosa e, no entanto, profundamente humana.

A mensagem passada pelo perfume é "Eu sou reservada, poética e misteriosa. Porém, vença a frieza inicial e você descobrirá alguém repleto de sensibilidade". E quem poderia resistir a um tal convite?


Ilustração à direita - Sarah Bernhardt - fotografia de 1864, de Gaspard Félix Tournachon (dito Nadar)



15 de dezembro de 2008

Fracas

Fracas


Criado em 1947, pela perfumista Germaine Cellier, Fracas é uma legendária profusão de flores brancas, símbolo de feminilidade classica.

Germaine Cellier (1909-1976) foi um dos primeiros perfumistas do sexo feminino a serem reconhecidos mundialmente. Criadora de Bandit (1944), também confeccionado para a maison Robert Piguet, além de Vent Vert (1947) e Jolie Madame (1953), ambos para Balmain, Madame Celier foi conhecida pelas ousadas associações de odores, e suas fórmulas curtas e concisas. O encontro de Cellier com Piguet foi definitivo para a perfumaria, tanto por sua primeira contribuição para a marca, Bandit, quanto por Fracas.

O conceito do perfume roda em torno da doce e persistente Tuberosa. As notas de jasmim, gardênia e neroli só fazem acentuar o forte caráter da flor, grande estrela do perfume. O resultado final é um odor de Tuberosa, reinando soberana com um toque de jacinto, e a curiosa e improvável nota de junquilho, num fundo de vetiver, almíscar e sândalo.

Fragrância audaciosa, que reflete tão bem a personalidade criativa de sua autora, Fracas é, na minha opinião, a referência absoluta em matéria de Tuberosa. Sendo o tipo de perfume que requer uma certa personalidade (ou humor) por parte da pessoa que o usa, Fracas pode ser forte e difícil . Eu recomendaria o uso em pequenas doses, e com a prudência necessária para não ofender os olfatos mais sensíveis. O poder de fixação é maravilhoso, e o efeito "sillage" (rastro de perfume que paira no ar), garantido.

Dizem que a fragrância foi inspirada pela icônica representação de Rita Hayworth em Gilda. Verdade ou lenda, o fato é que Fracas faz-me pensar em luxuria, em luvas longas e fortunas sendo apostadas num cassino. Faz-me pensar que nunca houve uma mulher como Gilda*... ou um perfume como Fracas.


*Citação - "There never was a woman like Gilda" (frase de publicidade do filme Gilda)
Ilustrações - à direita -Rita Hayworth numa cena do filme Gilda, de 1946

-à esquerda - poster de Gilda




13 de dezembro de 2008

Perfumes & etc é nominado para o Fragrantica Blog Awards

Perfumes & Etc é nominado para o Fragrantica Blog Awards


Perfume Blogs Contest
Sponsor Perfume.com


Queridos Leitores,



É com imenso prazer e muita alegria que eu comunico nossa nominação ao "Perfume Blog Awards" da revista online Fragrantica.

Fragrantica é uma fonte de informação sobre o mundo da perfumaria e uma comunidade que, a cada ano, suporta o trabalho de diversos blogs relacionados ao assunto.

O "Fragrantica Blog Awards" é uma competição que visa premiar o melhor blog sobre perfumes, e eu estou honrada pela nominação.

Para dar seu voto, você pode:
- Visitar o site Fragrantica (link incluso)
- Clicar na ilustração acima (nesse post)
ou
- Clicar na ilustração no alto, à esquerda do nosso site

Nos três casos, você deverá registrar-se no site Fragrantica, e selecionar o "Perfumes & etc".

Estou torcendo por nossa vitória!



Um grande abraço,




Gaëlle.




Korres - Body Waters


Korres


Derivada da primeira farmácia homeopática de Atenas, a marca foi fundada em 1996, com o objetivo principal de criar produtos naturais, utilizando ervas e plantas Gregas em suas composições.

O primeiro produto comercializado por Korres foi um xarope herbal e aromático, com mel e anis – uma receita inspirada pelo "rakomelon" (ou rakomelo - do grego raki + meli), uma bebida alcoólica bastante apreciada pelo avô de George Korres. Produzida com raki*, mel, canela, cardamono e outras especiarias, o « rakomelon » é uma das bebidas mais populares em Nixos, ilha natal do patriarca.

Korres é uma das marcas mais populares na Grécia, e seus produtos podem ser encontrados em qualquer farmácia local, além de serem distribuídos em 30 países. Isso não diminui em nada o charme dos mesmos, que são embalados num estilo minimalista, lembrando as origens farmacêuticas da linha.

A empresa oferece hoje uma gama completa de produtos faciais, corporais e para os cabelos, além de maquilagem e protetores solares. Eu poderia passar horas falando dos vários produtos de que gosto, mas vou me concentrar nas « Body Waters » (Águas corporais).

Perfeitas para o verão, as body waters de Korres se diferenciam de tantas águas-de-colônia e eaux-de-senteur atuais pela sua gama de aromas. Kostes apostou em fragrâncias revigorantes e envolventes, porém leves, que podem satisfazer tanto os amadores de odores cítricos quanto os aficionados por perfumes mais doces, ou epicés - todos sendo perfeitamente compatíveis ao uso em climas quentes.

Citrus – Um odor atípico de limão, onde uma ponta de flor-de-laranjeira faz-se presente
Mint tea (Chá de menta) – Um refrescante splash de chá verde com um toque de menta (mais chá verde do que menta)
Cedar (Cedro)– Um odor unissex, que tende mais ao gosto masculino. De todas as « body waters », essa é mais intensa, e com maior poder de duração. Uma declinação um pouco mais doce e leve do odor de cedro
Vanilla Cinnamon (Baunilha e Canela) - Uma deliciosa mistura de baunilha e canela, com um leve toque amadeirado. Bem dosada, e não excessivamente doce, essa é a fragrância perfeita para quem deseja um odor goumand para os dias de maior calor
Coriander (Coentro) – Um odor de laranja misturado a um fundo de especiarias
Basil Lemon (Manjericão e Limão)– Leve e refrescante mix de limão e manjericão verde e ligeiramente « apimentado »
Nutmeg (Noz-Moscada) – As notas predominantes são frutais, misturadas com uma dose mínima de noz-moscada

Fragrâcias simples e descomplicadas, mas que poderiam agradar até o mais exigente dos deuses Gregos.



*Raki ou Tsikoudia - bebida a base de uvas, originaria da ilha de Creta
Ilustração à direita - Citrus Body Water
Ilustração à esquerda - Vanilla Cinnamon Body Water





11 de dezembro de 2008

Fleurissimo



Fleurissimo



Diz a lenda que Rainier III, príncipe de Mônaco, solicitou à marca Creed a confecção de um perfume que seria oferecido como presente de casamento à sua noiva, a atriz Grace Kelly. Assim nasceu Fleurissimo, que foi inspirado no bouquet de flores da noiva. Além de Fleurissimo, Grace ganhou de seu príncipe um conjunto de bracelete, brincos e colar de Van Cleef & Arpels e o yacht "Deo Juvante II". Porém, ninguém parece se lembrar das preciosidades de Van Cleef e do belo yatch. Fleurissimo ficou conhecido como "O" presente de casamento, emblema de classe e romantismo.

Composto de rosas Búlgaras, tuberosa das Índias, violetas e Íris Florentina, Fleurissimo é um floral suave, com uma aura de anos 50. As notas de tuberosa são bem presentes na abertura, porém, apos poucos minutos, a rosa e a violeta suavizam o odor inicial, e a íris entra, colaborando com o toque nostálgico. A base almiscarada completa o conjunto, dando um aspecto mais distinto à explosão floral. Suave e distinta, são duas palavras que eu escolheria para descrever essa fragrância.

O dia 19 de Abril de 1956, data do casamento religioso, ficou marcado na memória de muitos como um mágico momento de conto de fadas, onde o príncipe, vestido de um uniforme militar em estilo Napoleônico, unia-se à bela atriz, num clima hollywoodiano. O casamento foi especialmente "orquestrado" pelo studio MGM (Metro-Goldwyn-Meyer), teve como cenário a Catedral St. Nicholas, e contou com a presença de 600 convidados, entre os quais Cary Grant, Gloria Swanson, Ava Gardner, David Niven, Aga Khan e Aristoteles Onassis. O vestido de Grace foi desenhado por Helen Rose, estilista, e o penteado especialmente feito por Sydney Guilaroff, cabelereiro chefe do studio.

Outras personalidades como Jacqueline Onassis, a rainha Elizabeth II e mesmo Madonna usaram essa fragrância. Porém, Fleurissimo ficou eternamente ligado à imagem da jovem Grace Kelly, de 26 anos, radiante e majestosa em seu vestido de gola alta e mangas longas, tentando fazer crer a todos que os contos de fada são reais. Sim, os contos de fadas existem - com uma pequena ajuda de MGM...e de Creed, claro!


Ilustração ao alto - Casamento religioso de Grace Kelly e Rainier III, de Mônaco - foto dos arquivos da revista Live



Creed

Creed


Eu costumo brincar, dizendo que a marca Creed é celebre por sua lista de clientes celebres. Jogo de palavras a parte, as criações de Creed têm feito furor entre figuras ilustres, através dos tempos.

Fundada em 1760 por James Creed, a empresa conheceu um crescimento fulgurante quando foi designada como fornecedor oficial da corte da rainha Victoria. Logo outros clientes reais solicitaram os favores da marca - de Napoleão III à Imperatriz Eugenie, de Elizabeth da Áustria (a famosa Sissi) a Cristina da Espanha.

Em 1854, a empresa se mudou para Paris, e sua notoriedade cresceu ainda mais. Passando de pai a filho até os dias atuais, Creed é dirigida pela sexta geração de perfumistas, representada por Olivier Creed. Seguindo a tradição de empresa familiar, o filho de Olivier, Erwin é o perfumista senior, enquanto a filha, Olivia, trabalha como designer.

Olivier foi responsável pela elaboração de algumas das fragrâncias mais belas da historia da marca. Green Irish Tweed (1985), Millesime Imperial (1995), Silver Mountain Water (1995), Spring Flower (lançada em 1996), Himalaya (2002), Original Vetiver (2004), Love in White (2005), Original Santal (2006), as edições limitadas Royal Ceylan (2006), Feuille Verte (2006) e Fleur de Gardenia (2006), Virgin Island Water (2007) e o recente Love In Black (outono de 2008) - todos carregam a assinatura de Olivier Creed.

Creed foi, e ainda é, popular entre várias celebridades. Marlene Dietrich, Natalie Wood, Grace Kelly, Jacqueline Onassis, Robert Redford, Madonna, Cary Grant, Ava Gardner, Errol Flyn, John Kennedy, Audrey Hepburn, Winston Churchill, David Bowie, Angelina Jolie e George Clooney - todos sucumbiram a sedução dessa marca atemporal.




Ilustração à direita - a dinastia Creed - de James Henry (1710-1798) a Olivier Henry (1943-...)



9 de dezembro de 2008

Fleur de Comores e Vanilia


Fleur de Comores e Vanilia


O que mais me impressiona em Fleur de Comores, fragrância elaborada em 1988, e lançada em 1989 pela marca « Maître Parfumeur et Gantier » é sua similaridade com outra criação de Jean Laporte, Vanilia, de "L’Artisan Parfumeur", lançada em 1978.

Comparando as notas olfativas :

Fleur de Comores : Groselha, maracujá, folhas verdes (abertura), baunilha, flor-de-laranjeira e jasmim (corpo), numa base de âmbar , vetiver e almiscar

Vanilia : Ylang-ylang, baunilha, âmbar e sândalo

Apesar das diferentes notas, e da maior complexidade de Fleur de Comores, as duas fragrâncias têm a mesma característica de « baunilha amadeirada ». Ambas são perfeitas para quem quer usar um perfume de baunilha, sem o lado doce e enjoativo. Uma « baunilha para adultos », assim eu classificaria Fleur de Comores e Vanilia.

Enquanto Vanilia é um pouco mais séria, Fleur de Comores brinca com uma nota tropical, que talvez venha da junção do jasmim à baunilha. Fleur de Comores também parece carregar um pouco menos no âmbar, e, ao menos na minha pele, tem um poder de fixação consideravelmente maior. Porém, em ambos os casos, a idéia básica é a mesma - uma baunilha «quente» e ligeiramente amadeirada, e o resultado final, extremamente similar.

Tanto Fleur de Comores quanto Vanilia são adaptáveis a vários climas. Indicaria o uso de ambas para os dias mais frios, pelas notas amadeiradas. Também poderia sugerir as duas fragrâncias para os dias mais quentes – por não serem extremamente doces, e Fleur de Comores, por seu toque tropical, en plus.

E quem disse que baunilha era coisa de criança ?!!


Ilustração ao alto - Fleur de Comores, de Maître Parfumeur et Gantier
Ilustração à direita - Vanilia, de L'Artisan Parfumeur (frascos 50ml e 100ml)





Maître Parfumeur et Gantier


Maître Parfumeur et Gantier


Em 1989, Jean-François Laporte criou "Maître Parfumeur et Gantier", apos ter deixado sua outra empresa, fundada em 1976, L’Artisan Parfumeur.

A inspiração para "Maître Parfumeur et Gantier" foram os mestres perfumistas e fabricantes de luvas, muito em moda na Paris do século XVII.

No século XVII havia um provérbio que dizia que um par de luvas, para ser perfeito, devia ser preparado na Espanha, talhado na França e costurado na Inglaterra. No entanto, as luvas perfumadas na Espanha possuíam um odor muito forte para o gosto feminino francês. A partir de então, a fabricação e aromatização de boa parte dessas luvas, sobretudo as de pele, passou a ser feita no próprio pais.

Curiosidade - Um dos maiores mestres perfumistas e luveiros foi Jean Chabert, cuja boutique se situava na Place des Terreaux , em Lyon, e se chamava « Au Jardin de Provence » . Monsieur Chabert também publicou um livro, falando sobre a carreira de perfumista/luveiro. Embaixo da gravura, que ilustrava o livro, podia-se ler :

AU JARDIN DE PROVENCE
Na loja de Jean Chabert, mestre perfumista,
fazem-se e vendem-se todos os tipos
de ceras da Espanha, essências e perfumes,
sabonetes e rossolis* de Turin,
em Terreaux, Lyon.


Esse foi o universo que Jean Laporte tentou evocar, criando a marca de fragrâncias masculinas e femininas (e bien sûr, luvas)
« Maître Parfumeur et Gantier ». Em 1997, a linha passou às mãos de Jean-Paul Millet Lage.



Ilustração - Jean Chabert, perfumista de Lyon no século XVII. Desenho de Bocourt, tirado de uma ilustração da época.
*Rossolis – tipo de licor feito de açucar, e de alguns tipos de frutas doces, como ameixas e cerejas




5 de dezembro de 2008

Destinação - Irlanda


Fragrances of Ireland


A Irlanda é um dos meus países prediletos. Eu tenho uma grande admiração pelo povo, pelas paisagens, e pelo número de gente notável "made in Ireland". A "Ilha Esmeralda" parece fabricar uma quantidade de figuras criativas. Terra de James Joyce, Oscar Wilde, Yeats, George Bernard Shaw, U2, Enya, Pierce Brosnan, Sinead O'Connor...A Irlanda encanta, e eu sempre quis falar dos aromas da terra - do cheiro do mar, de Lough Gill e Innisfree, do County Wicklow, de Connemara... Agora posso falar desses aromas particulares, relacionando-os a uma linha independente de perfumes puramente Irlandesa, a "Fragrances of Ireland". Fundada em 1983 por Brian Cox e Donald Pratt, "Fragrances of Ireland" tem por objetivo nos fazer viajar pelo clima mágico da Irlanda, através de suas criações. Então, aperte os cintos, e, boa viagem!


Innisfree - Innis significa ilha, em gaélico, e o nome Innisfree é uma "inglezação" do irlandês Innis Fraoch, que significa "Ilha de Urze". Innisfree é uma pequena ilha a menos de 2 milhas a sudeste do condado de Sligo, na Irlanda do Norte, banhada pelo lago Gill (ou Loch Gile, em Irlandês).

O poeta William Butler Yeats (1865-1939), que havia passado vários verões com seus avos, em Sligo, dedicou ao lugar o poema "The Lake Isle of Innisfree", primeiramente publicado em 1893, no seu segundo livro, "The Rose".

O belo poema foi o tema de criação do primeiro perfume de "Fragrances of Ireland", Innisfree - um floral-frutal leve, aonde as notas de abacaxi e pêssego, são suavizadas pelo frescor do limão, da bergamota e da lavanda. O toque romântico vem da junção da rosa e do jasmim, num fundo de
almíscar e sândalo. A imagem da embalagem representa o pôr-do-sol em Lough Gill, e na compra do perfume, recebe-se uma delicada cópia do poema de Yeats.


The Lake Isle of Innisfree

I will arise and go now, and go to Innisfree,
And a small cabin build there, of clay and wattles made:
Nine bean-rows will I have there, a hive for the honey-bee,
And live alone in the bee-loud glade.

And I shall have some peace there, for peace comes dropping slow,
Dropping from the veils of the mourning to where the cricket sings;
There midnight's all a glimmer, and noon a purple glow,
And evening full of the linnet's wings.

I will arise and go now, for always night and day
I hear lake water lapping with low sounds by the shore;
While I stand on the roadway, or on the pavements grey,
I hear it in the deep heart's core.




A Ilha do Lago de Innisfree

Erguer-me-ei e partirei já, e partirei para Innisfree,
E uma pequena cabana içarei lá, de barro e vime feita:
Nove alas de feijão aí terei, uma colmeia de obreiras
e Viverei sozinho entre enxames nas clareiras.

E aí terei uma certa paz, porque a paz vem lentamente,
Caindo pelo véu da manhã, até onde o grilo canta;
Onde a meia-noite é trémula, e o meio-dia é roxo brilho,
E a noite, de asas de pardais se completa.

Erguer-me-ei e partirei já, porque sempre noite e dia
Escuto a água do lago folheando murmúrios na rebentação;
Quanto vou pelas estradas ou pelos passeios cinza,
Oiço-a no lúmen profundo do coração

Ilustrações - direita - Jack Butler Yeats (1871-1957) ~ Lough Gill, County Sligo 1906 / esquerda- Bernard McDonagh ~ Innisfree


Patrick Cologne for Men - Patrick foi o segundo lançamento de "Fragrances of Ireland". Um aroma bem masculino de pinho, num fundo de patchouli e musgo de carvalho, Patrick é uma homenagem ao padroeiro da Irlanda, St.Patrick (São Patricio), cuja festa é celebrada no dia 17 de março.

Patricio nasceu de uma família Escocesa ou Inglesa (não se sabe, ao certo), no seculo IV DC. Durante a adolescência, Patrício foi seqüestrado por "Niall of the Nine Hostages", que mais tarde tornou-se rei da Irlanda. Patrick faleceu no dia 17 de março de 461, com 76 anos. Vários monumentos foram construídos na Irlanda, em sua homenagem.

Curiosidade - Até os anos 70, nenhum pub podia funcionar no dia de São Patrício. O único lugar aonde podia-se legalmente consumir bebidas alcoolicas era a bordo de trem, ou na exposição anual de cachorros da Royal Dublin Society.

A embalagem de "Patrick Cologne for men" foi inspirada num dos maiores exemplos da arte céltica, o Book of Kells, também conhecido como Book of Columba, um manuscrito contendo os evangelhos do Novo Testamento, traduzido por monges celtas em torno do ano 800 DC. O manuscrito esta exposto na biblioteca do Trinity College, em Dublin.



Connemara
(do Irlandês, Conamara, que deriva de Conmhaicne Mara = descendentes de Con Mhac/ do mar) - Connemara foi o terceiro perfume de "Fragrances of Ireland", criado no início dos anos 90. Um floral, aonde as notas de rosa, jasmim, ylang-ylang e lírio-do-vale são as grandes estrelas. A fragrância foi inspirada da bela região homônima, na costa oeste da Irlanda.

A região compreende a península entre Killary Harbour and Kilkieran Bay, no oeste do condado de Galwayou, ou sudoeste de Connacht. Tradicionalmente dividida em Norte Connemara e Sul Connemara, a região tem as montanhas de Twelve Bens e o rio Owenglin como marca divisória das duas partes.

Banhada na parte oeste, sul e norte pelo oceano Atlântico, Connemara foi o local de filmagem de "Marley and Me", comédia com Jennifer Aniston e Owen Wilson. Durante o tempo de filmagem, Aniston e Wilson se hospedaram no luxuoso Ballynahinch Castle, antiga residência da rainha pirata, Grace O'Malley. A casa atual foi construída em 1700, pelo pai de outro morador famoso, Richard Martin, fundador da Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA)

Não se pode falar de Connemara sem citar a bela Kylemore Abbey, um monastério Beneditino fundado em 1920, na localização do antigo castelo de Kylemore. Projetado em 1860 por James Franklin Fuller e Ussher Roberts para Mitchell Henry, um rico comerciante de Liverpool e membro do Parlamento, Kylemore foi também a residência do nono Duque de Manchester.

Ilustrações - direita - Ballynahinch Castle / esquerda - Kylemore Abbey


"Fragrances of Ireland" também conta com a linha de sabonetes e produtos para o banho Naturally Irish, que se declina em dois aromas, 'Heather & Moss' e 'Sweet Lavender', este ultimo fabricado com óleos de lavanda, provenientes da própria plantação particular no condado de Wicklow, conhecido como o "jardim da Irlanda". Famoso por suas magnificas montanhas, lindas praias de areia, rios e lagos, Wicklow também acolhe o famoso monastério de Glendalough, fundado no século VI DC por St. Kevin, um padre heremita, e destruido em 1398, pelas tropas Inglesas.

Ilustração à direita - Glendalough Monastery



Ini
s of the Sea - Inis of the Sea é o carro-chefe da linha. Um floral oceânico unissex, lançado em 1998, Inis of the Sea tem a mesma aura de CK1, mas, ao contrario desse ultimo, consegue me transportar ao mares Irlandeses. Mares de Grace O'Malley, que comandou centenas de homens, e cujo império se extendia de Connaught, na costa Irlandesa até os mares de cobalto da Africa.

"Fragrances of Ireland" continua a adicionar novas criações à linha. Fragrâncias como a romântica Inis Arose, com seu odor de rosas num fundo ligeiramente marinho, ou Inis Or... Cada fragrância com a capacidade de nos fazer viajar. Viajar à Irlanda - terra de poetas, escritores, piratas, grandes amores, magica, musica, e... perfumes.






4 de dezembro de 2008

Vintage Gardenia

Vintage Gardenia


Eu confesso que fiquei assustada com o adjetivo « Vintage » , no nome « Vintage Gardenia », fragrância lançada em 2004 para comemorar o décimo aniversário da marca Jo Malone . Imaginei imediatamente um odor forte, e old-fashioned de gardênias e jasmim, no melhor estilo « floral antigo ».

Qual não foi a minha surpresa ao constatar que « Vintage Gardenia » não tem nada de vintage , sendo, na verdade, uma interpretação de gardênia moderna e atual.

As notas iniciais são gardênia e tuberosa. Apos alguns minutos, pude sentir uma pitada de incenso. Aos poucos, as notas de tuberosa foram enfraquecendo, e cederam lugar a um belo aroma de gardênias com um pouco de mirra, num fundo leve de sândalo. O resultado é uma colônia suave e fresca de gardênias, com um toque de especiarias.

Jo Malone, seguindo o conceito de « fragrâncias combináveis » que caracteriza a linha, recomenda o uso dessa colônia coordenado com outras fragrâncias como Amber & Lavender, Black Vetyver Café, French Lime Blossom… – só para citar alguns exemplos. « Vintage Gardenia » é minha colônia predileta da marca , e, eu, particularmente, a uso sozinha, sem combinações.

O que me atrai na fragrância é sua capacidade de adaptação a várias estações climáticas e diferentes temperaturas. "Vintage Gardenia" é suave o suficiente para ser usada no verão, mas, graças ao leve toque de incenso, que « esquenta » e dá uma certa profundidade às notas de gardênia, e das notas de mirra e cardamomo, que dão o «tempero» final, pode perfeitamente ser usada nos dias mais frios.

Nunca algo vintage foi tão moderno !



Jo Malone


Jo Malone


Apesar do nome de mafioso siciliano, Jo Malone é uma jovem senhora Inglesa, conhecida por sua linha de fragrâncias minimalistas e combináveis entre si.

Jo Malone começou misturando óleos de banho na própria cozinha de seu apartamento, no bairro de Chelsea, em Londres. Sua primeira criação foi Nutmeg & Ginger Bath Oil (Noz-moscada e Gengibre), oferecido como presente aos clientes de seu Instituto de Beleza (também situado em Chelsea). Um dos clientes, inclusive, encomendou cem frascos do óleo, a fim de oferecer aos convidados de uma festa que estava dando. Dos 100 convidados da festa, 86 telefonaram a Mrs. Malone para encomendar mais óleos.

A linha de óleos de banho foi tão apreciada que, em pouco tempo, e apesar da ausência de experiencia prévia, Mrs. Malone começou a fabricar perfumes. As fragrâncias tinham uma ou duas notas, o que contrastava consideravelmente com as fragrâncias atuais, mais elaboradas. Em 1991, foi lançada "Lime Basil & Mandarin" (Limão, Manjericão e Mandarina) que se transformou no carro-chefe da marca.

No ano de 1994, Malone lançou sua primeira loja, no n° 154 da Walton Street,em Londres. Quatro anos depois, foi aberta a loja de New York, e, em 1999, Malone negociou uma parceria com o gigante Estée Lauder. Em 2002, foi lançada uma linha de produtos para a pele, fortemente apreciada por celebridades.

Eu adoro o estilo clean e minimalista de Jo Malone. Gosto também da idéia de poder misturar certas fragrâncias da linha, e obter um perfume personalizado. Por exemplo: pode-se misturar "Lime Basil & Mandarin", onde limões frescos e raspas de mandarina são complementados por um toque de manjericão apimentado e tomilho branco aromático, tendo como resultado uma fragrância leve e fresca, para o dia. Podemos também misturar o mesmo "Lime, Basil & Mandarin" com "Vetyver", e o resultado é uma fragrância mais sofisticada, para a noite. Então, mãos a obra, e divirta-se!!






2 de dezembro de 2008

Gwen Stefani - Harajuku Lovers


Gwen Stefani - Harajuku Lovers


Harajuku Lovers é a linha de acessórios da cantora Gwen Stefani, lançada em 2005 . Harajuku também é o nome de uma estação de trem, na linha Yamanote, no Município de Shibuya, em Tóquio.

O nome inspirou as « Harajuku Girls », as 4 dançarinas nipônicas de Gwen, que foram musas para a criação da linha de eaux-de-toilette, fabricadas por Coty. Com nomes como Love, Angel, Music, Baby, e G (G em referencia a própria Gwen), e tampas de embalagem em formato de bonecas, Harajuku Lovers são fragrâncias leves, divertidas e despretensiosas . Aqui está a descrição breve de cada uma :

- G (a lourinha) – Coco almiscarado
- Love (com penteado em forma de 3 bolas laterais) – Floral leve e ligeiramente doce
- Lil’Angel (com uma faixa amarela) – Doce, no estilo Fantasy, de Britney Spears ou Pink Sugar
- Music (penteado em forma de 2 discos) – Floral-frutal com notas predominantes de pêra . Porém, quando o assunto é pêra, eu ainda prefiro a fragrância original de Gwen, L.A.M.B.
- Baby (a morena de cabelos curtos e encaracolados) – Minha predileta. A abertura atalcada é um pouco estranha, mas, alguns minutos passados, pude sentir o exato cheiro do antigo shampoo Johnson’s (o amarelo). Fui invadida por uma onda de nostalgia, que se evaporou em 1 hora - tempo de duração de Baby na minha pele.

Eu adorei o conceito e as embalagens. Também gostei da idéia de «Deixe a seriedade de lado – Vamos nos divertir» que a linha traduz. Diversão - essa é a palavra-chave. Escolha a sua boneca predileta, deixe a análise de notas olfativas de lado, e não leve a fragrância a sério. Afinal, como alguém poderia levar a sério 5 bonequinhas cabeçudas?



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