16 de janeiro de 2009

Kai

Kai


Gaye Straza Rappaport queria elaborar uma fragrância que traduzisse o aroma das inúmeras férias que tinha passado, desde pequena, no Havaí. E assim nasceu Kai, que significa "oceano" na língua havaiana.

Kai foi lançada em 1998, e comercializada exclusivamente na boutique de Gaye, em Malibu, Califórnia. Posteriormente, a boutique foi vendida, mas os pedidos para a re-introdução da fragrância foram tantos, que Mrs. Rappaport resolveu dedicar-se inteiramente à sua produção.

Apesar do nome, que evoca um tema marítimo, Kai não tem nenhuma nota oceânica. A grande estrela da fragrância é a gardênia, mas notas de lírio e jasmim também podem ser sentidas. O pepino une-se às flores brancas, acrescentando um toque de leveza e frescor. A particularidade desse floral branco é justamente o equilíbrio entre frescor e uma certa aura de luxúria, proveniente da gardênia

Kai é atualmente declinada em óleo/ roll-on (fórmula original), eau-de-parfum spray, gomagem, manteiga corporal, body mist, loção corporal, sabonete líquido, e maravilhosas velas aromatizadas.

Eu testei as versões óleo e eau-de-parfum, além da loção corporal. A eau-de-parfum é um pouco mais leve e etérea, e as notas de pepino parecem ser mais presentes. A versão óleo é mais herbácea, envelopada e doce. Em ambos os casos, um leve efeito sillage (rastro de perfume que paira no ar) é garantido, e o poder de fixação, excelente.

Kai conta com várias celebridades entre seus admiradores. De Charlize Theron a Debra Messing, passando por Julia Roberts, Kate Bosworth, Naomi Watts, Reese Witherspoon e Oprah Winfrey, inúmeras foram as personalidades que sucumbiram a esse delicioso floral.


Ilustrações - cartões- postais "vintage"


13 de janeiro de 2009

Le Maroc Pour Elle


Le Maroc Pour Elle


Andy Tauer é o novo enfant terrible da perfumaria moderna. Esse perfumista Suiço-Alemão, nascido em 1964, tem feito unanimidade graças à originalidade de suas criações, comercializadas no seu próprio website, e distribuídas em algumas boutiques Italianas, Suíças, Alemãs e Americanas.

As duas primeiras fragrâncias da marca foram inspiradas nas visitas de Tauer a um amigo, que morava no Marrocos. A primeira, "Le Maroc pour Elle", foi lançada em janeiro de 2005, e conheceu um sucesso relativo. No entanto, foi a segunda criação da série, "L'Air du Desert Marocain", que elevou Mr. Tauer ao rang de little darling da perfumaria. Quando o Emperor of Scent, Luca Turin himself, declarou que havia escolhido usar "L'Air du Desert Marocain" no dia de seu casamento, o alvoroço foi geral, e todo mundo quis saber quem era Andy Tauer.

Le "Maroc pour Elle" gira em torno dos dois símbolos máximos da feminilidade Marroquina - o jasmim e a rosa. Todo o caráter voluptuoso das duas flores míticas é aqui presente. A rosa faz a grande abertura, seguida quase imediatamente por uma nota de jasmim doce e cremosa. Durante todo o desenvolvimento da fragrância, a rosa e o jasmim estão presentes, mostrando porém, diferentes facetas olfativas. Suave, devido às notas de lavanda; doce, graças à mandarina; e forte e animalesca, pela junção do cedro, do sândalo e do patchuli, no fundo.

Entre as duas criações tendo o Marrocos como tema, "Le Maroc pour Elle", é, na minha opinião, a mais bem-sucedida ao representar o país. O odor dos souks* marroquinos é perfeitamente incarnado, e a fragrância consegue transportar-me ao Marrocos, e, mais propriamente a Marrakech, a cidade ocre, aos vales secretos do sul Marroquino, a El-Kalaa M'gouna , com sua festa das rosas ( 2 a 4 de maio).

Como todas as fragrâncias de Tauer, "Le Maroc pour Elle" tem um poder de fixação considerável. Entretanto, a maior atração dessa eau-de-parfum é a união entre o romantismo da rosa e do jasmim, com o toque de exotismo Magrebino, o que faz da mesma um bilhete de viagem garantido a essa terra de diversos sabores, cores e aromas.


*souk - Souk (ou souq) - quarteirão comercial ou feira semanal de uma cidade Árabe ou Bárbara (Berbère)

Ilustrações ~ primeira à direita - Danse aux mouchoirs, de Théodore Chassériau
~à esquerda - Mellah de Fes, la place du Commerce, de Henry Pontoy (1888-1968)
~ segunda à direita - Danseuse orientale, de Edouard Richter



11 de janeiro de 2009

Summer Hill



Crabtree & Evelyn - Summer Hill


Os verões ingleses são notoriamente mornos e úmidos, o que intensifica o odor dos magníficos e sempre presentes jardins. Cada cidade, pequena ou grande, tem seu próprio jardim público, ornado com coloridas flores. Em cada propriedade, o visitante pode ser lembrado do passado histórico da construção, pelo exame de seus parques. O sol brilhante, o céu azul e a temperatura clemente, possibilitam longas caminhadas pelos aromáticos campos.

E foi o clima poético de um perfeito dia de verão nos campos Ingleses, que a marca Crabtree & Evelyn tentou resgatar, ao criar Summer Hill. A melodia das cigarras, o aroma das flores silvestres, e os gramados verdes iluminados pelos vaga-lumes no crepúsculo - todos os elementos que compõe o cenário mágico do verão Inglês, foram capturados nessa criação de 1991.

A delicadeza do pêssego abre a bela sinfonia, trazendo um caráter solar e alegre. A junção da freesia com as flores silvestres, concede um romantismo às notas frutais, e o toque de lírio-do-campo faz-me pensar em uma leve brisa nos jardins ensolarados. A tuberosa fecha o conjunto, deixando um rastro de feminilidade. O resultado é um floral branco leve e muito bem composto, que realmente consegue projetar-me a um verão idílico.

O estilo country-casual da embalagem é encantador, e os tons de amarelo com os leves toques azuis da caixa, incarnam perfeitamente o estilo decorativo de uma residência de verão Inglesa.

Declinada em eau-de-toilette, sachets perfumados, loção corporal, gel para banho, fragrância para a casa, creme para as mãos, e um deliciosa bruma corporal, Summer Hill é a opção perfeita para um mágico verão, numa atmosfera de romance de Jane Austen.


Ilustrações - à direita - Potting Table, de Dwayne Warwick
~ à esquerda - Garden Pathway, de Dwayne Warwick

8 de janeiro de 2009

Clean Provence



Clean Provence



Provence é uma região da França que engloba as colinas que ligam o mar às montanhas dos Alpes. Suas vinhas e paisagens coloridas encantaram Cézanne (Aix en Provence), Van Gogh (Arles), Chagall, entre outros. Terra de Fernandel e Pagnol, a Provence fascina pelo cenário mágico do caminho da lavanda, e mostra todo o seu esplendor durante o verão, quando a região festeja sua flor fetiche.

Randi Shinder, fundadora de Clean, seguiu o conceito básico da linha, criando mais uma fragrância que evoca o "aroma de limpeza", traduzido pelo odor do sabonete. Porém, aqui a inspiração foi a atmosfera ensolarada e bucólica, com o odor de roupas récem-lavadas pelo sabão de Provence, secando ao ar livre.

Com notas de limão provençal, flor de algodão, rosa gerânio, almíscar violeta e limão galego, essa eau de parfum vence o desafio de capturar o cenário local, e é uma das minhas fragrâncias prediletas da linha Clean. A lavanda não está listada entre os componentes oficiais, mas eu sinto suas leves notas, o que transporta-me diretamente aos verões da bela região francesa.

O aroma é delicadamente original, e, apesar de não ter um poder de fixação considerável, consegue projetar-me a uma das telas de Cézanne, o que compensa largamente as duas horas de permanência na minha pele. Posso quase sentir a brisa fresca no ar quente banhado pelo odor da lavanda, e visualizar as roupas ainda úmidas, espalhando o perfume do sabão provençal a cada movimento do varal, com as águas plácidas do Rhône (Ródano), ao fundo.


Ilustrações - à direita ~ Paul Cézanne - Vue sur l'Estaque (1878)
~à esquerda - Van Gogh - Entrada do Jardim Público de Arles (1888)



7 de janeiro de 2009

Sampaquita


Ormonde Jayne - Sampaquita


Sampaguita é a designação Filipina para o Jasminum sambac, também conhecido como Jasmim das Arábias, flor provavelmente originária da Índia.

Diz a lenda, que o guerreiro Lakam Galing antes de partir ao combate, a fim de defender suas terras, despediu-se de seu grande amor, a bela Lakambini. Ambos pronunciaram as palavras “Sumpa kita”, termo que significa "eu prometo", expressando o sentimento que os unia. Lakam Galing não sobreviveu à batalha, e Lakambini morreu de tristeza logo apos. Em pouco tempo, pequenas flores brancas, com um forte e adocicado odor, começaram a nascer na tumba de Lakambini, simbolizando o amor profundo e puro que a mesma nutria a Lakam Galing.

Em Fevereiro de 1934, o então Governador-geral Frank Murphy, declarou que a sampaguita seria o símbolo nacional das Filipinas, por sua popularidade e valor simbólico nas lendas locais.

Em 2004 , a marca Inglesa Ormonde Jayne lançou uma magistral interpretação da flor. As notas adocicadas de lychee são temperadas pelo frescor da bergamota e a leveza da magnólia. A sampaguita chega depois, impondo um certo "ar de verão" ao conjunto, devidamente realçado pela fragilidade do lírios d'água e do vale. A junção das notas de freesia e rosas complementam esse belo bouquet solar, concedendo uma feminilidade original. O fundo de almíscar, vetiver, musgo e semente de ambrette, dão a profundidade necessária.

Normalmente fragrâncias florais-tropicais pecam pelo exagero, porém a criadora, Linda Pilkington, soube magnificamente dosar originalidade e suavidade. E é justamente a união entre esses dois fatores, e o equilíbrio entre opulência e romantismo, que são as grandes atrações da fragrância, fazendo de Sampaquita uma das mais belas escolhas para o verão.


Ilustrações ~ à direita - Tampuhan, do pintor Filipino Juan Luna (1895)
~à esquerda - Sampaguita flor



2 de janeiro de 2009

Heliotrope

Etro - Heliotrope


Diz a lenda que Orchamus, rei da Babilônia e das províncias da Achemenia, tinha duas filhas, a romântica Clytie e a deslumbrante Leukothoe.
Clytie tomou-se de amores pelo deus do sol, Hélios (citado também como Apolo), que, momentaneamente retribuiu os sentimentos da jovem. Porém, apos algum tempo, Hélios sucumbiu à beleza de Leukothoe, e apaixonou-se pela bela princesa.

Clytie, louca de ciúme e tristeza, contou a Orchamus sobre os embates amorosos de sua irmã e Hélios. O poderoso rei da Babilônia, sentindo-se desonrado, ordenou que a pobre Leukothoe fosse queimada viva, sentença que foi executada imediatamente. Clytie, tomada pelo remorso, refugiou-se na floresta por nove dias, fazendo nada mais do que acompanhar a trajetória solar, e finalmente transformou-se em heliotrópio, a flor da devoção, que tem a face sempre voltada para o sol, e um odor ligeiramente abaunilhado.

Heliotrope, da marca Italiana Etro, capta a doçura do heliotrópio, sendo muito mais alegre que a lenda. O odor inicial lembra fortemente uma mistura de amêndoas a um toque de cerejas, num fundo levemente atalcado. O conjunto assemelha-se ao odor do marzipã, e a personalidade da fragrância é divertida, e, ao menos no meu caso, transmite um certo clima de felicidade gourmande.

As notas oficiais dessa colônia lançada em 1989, são: flor-de-laranjeira, bergamota, petigrain (abertura), íris, jasmim, heliotrópio , ylang-ylang e rosas (corpo), numa base de bálsamos tolu e do Peru, cumaru (tonka bean), almíscar e baunilha. Apesar do vasto leque de componentes, eu não consigo sentir nada além de amêndoas, heliotrópio, baunilha e um pouco de almíscar no fundo.

Heliotrope traduz perfeitamente a mistura entre a personalidade solar e exuberante de Hélios, nas notas amendoadas, e o romantismo cotemplativo e intimista de Clytie, no fundo almiscarado. Eu nunca entendi como uma flor poeticamente alegre, como o heliotrópio, é ligada a uma lenda tão triste como a de Clytie. Talvez a explicação venha do fato de que a bela princesa tenha finalmente encontrado a felicidade, ao acompanhar diariamente a trajetória do seu amado deus do Sol, e ter inspirado uma fragrância como Heliotrope, de Etro.


PS - Algumas versões da lenda apontam Clytie como uma ninfa marinha, filha de Oceanus e Thetys, e indicam o girasol, e não o heliotrópio, como produto de sua transformação.


Ilustrações - primeira à direita - Clytie ( 1895-1896), de Frederick Leighton
~ à esquerda - "Clytie changée en tournesol par Apollon" (1688), de Charles La Fosse (1636 - 1716)

~segunda à direita - heliotrópio flor


30 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo - Happy New Year!


Feliz Ano Novo - Happy New Year!


Em maio de 2008, eu comecei a escrever esse blog. Timidamente, a princípio, com meu teclado francês e seus acentos diferentemente situados.

Ao longo do ano, mantive as minhas amizades de épocas anteriores, e conheci muita gente nova. Conversei com perfumistas, leitores, outros autores de blogs, empresários do ramo, enfim, gente de diversas esferas. Pessoas especiais e enriquecedoras, que deram um sentido especial a 2008.

É para todas essas pessoas, e para você, leitor, que escrevo agora. Escrevo para desejar-lhes um ano novo regido pelo signo da paz, da saúde, da prosperidade e do bom humor.

Deixo um abraço especial a minha amiga Simone, do blog Mais Que Perfume. Há pouco tempo, tive a oportunidade e o privilégio de escrever uma matéria sobre os caminhos perfumados da Bélgica, e colaborar com o Mais Que Perfume, esse belo espaço, onde a linguagem olfativa une-se à exploração dos demais sentidos, de forma tão inteligente e criativa.

Também abraço fortemente minha nova amiga Raquel, do Jane Austen em Português. Raquel nos delicia a todos com um maravilhoso blog, inteiramente dedicado ao universo de Jane Austen. Diverti-me muito ao escrever "Orgulho, Preconceito e Perfumes", e fico grata em contar com Raquel entre meus amigos, nesse ano que começa.

Divirtam-se bastante, tenham um excelente Réveillon de Ano Novo, e... encontro marcado em 2009!



Com amor,



Gaëlle.



29 de dezembro de 2008

Infusion d'Iris



Infusion d'Iris



Para terminar o ano "en beauté", eu não poderia deixar de falar do aroma que mais me acompanhou durante 2008. Infusion d'Iris marcou alguns dos momentos de maior significação. Sendo assim, eu deixo aqui minha homenagem a essa bela fragrância, que perfumou, consolou e estimulou-me ao longo desses 365 dias de realizações.

Íris é a deusa Grega do arco-íris. Fruto do amor entre a ninfa marinha Electra e o titã Thaumas, Íris a é mensageira pessoal da deusa Hera. Representada pela união entre a terra e o céu, sua flor é considerada símbolo de comunicação.

É justamente a união entre céu e terra, ou seja, a junção das notas amadeiradas com a suavidade etérea da flor, que caracteriza essa bela fragrância de Prada. Criada em 2007, por Daniela Andrier, Infusion d'Iris é, na minha opinião, uma das mais bem-sucedidas interpretações de Iris Pallida, junto com Bois d'Iris e Iris SilverMist, comercializadas atualmente.
Mademoiselle Andrier também foi a criadora do igualmente poético Infusion d'Homme, contraparte masculina de Infusion Iris. Ambos foram inspirados na antiga técnica de infusão, utilizada em alta perfumaria, que consiste em deixar as flores marinarem a fim de ressaltar as características olfativas das mesmas.

O frescor da flor-de-laranjeira e da mandarina da Sicília, que dão uma abertura clean, alia-se elegantemente à beleza da Iris Pallida. O lentisco mediterrâneo contribui com um toque herbáceo, enquanto a associação do gálbano iraniano com o sândalo, concede um leve aroma de "madeira após a chuva", perfeitamente acentuado pelo vetiver. A junção do beijoim e um suave toque de incenso, impõe uma certa profundidade ao conjunto. Todos os citados elementos rodam em torno da Íris, como satélites, e o resultado final é uma fragrância cheia de contradições. Extremamente leve, porém inocentemente profunda. Realista e sonhadora, aérea e tocantemente material - como a deusa.

Infusion d'Iris é uma das fragrâncias mais versáteis que conheço, e considero praticamente impossível cometer um faux pas olfativo usando essa eau-de-parfum. Suave o suficiente para o uso em dias quentes, ou ocasiões descontraídas, Infusion d'Iris é também perfeitamente indicada para os momentos mais formais, por seu requinte discreto.

Apresentada em diversos tamanhos (50ml, 100ml, 200ml, 400ml e 750ml splash), e declinada em loção corporal, eau de linge (perfume para têxteis), vela aromática, sabonete em barra, sabonete líquido, sais de banho, lenços e papéis perfumados, o prazer que nos proporciona Infusion d'Iris pode estender-se ao longo do dia. Os vários itens de apresentação, fazem excelentes opções de presentes, e permitem um enorme leque de possibilidades na descoberta da fragrância.

A cor da embalagem é o verde anis, tonalidade característica da maison Prada, e o estilo héritage do frasco com o histórico logo, adicionam um charme especial a essa moderna homenagem à perfumaria tradicional.

Segundo a lenda, a deusa Íris envolvia Hera com o seu perfume, quando a mesma voltava de suas incursões aos infernos. Além de reconfortar a majestosa Hera, a mensageira também encaminhava as almas humanas aos Campos Elísios, paraíso dos heróis. Eu não posso imaginar um aroma mais reconfortante, ou mais apropriado à entrada na residência eterna de Aquiles que Infusion d'Iris.


Ilustrações - ao alto - Imagem de publicidade de Infusion d'Iris - foto de Steven Meisel - modelo: Sasha Pivovarova
~ primeira à direita - Morpheus and Iris (1811), de Pierre-Narcisse Guérin
~à esquerda - Iris, spirit of the Rainbow, de John Atkinson Grimshaw (1836-1893)
~ segunda à direita - Representação da deusa Iris - Imagem da metade do século V A.C., decoberta em Agrigente,
Sicília



27 de dezembro de 2008

Crabtree & Evelyn - Spider Lily

Crabtree & Evelyn - Spider Lily



India Hicks é a neta do célebre Lord Mountbatten, filha do designer de interiores David Hicks, e afilhada do príncipe Charles, da Grã-Bretanha. Porém, foi em 1981 que India atraiu os olhares do mundo inteiro, como uma das pequenas damas de honra no casamento da princesa Diana, junto com Lady Sarah Armstrong-Jones, Sarah Jane Gaselee, e Clementine Hambro.

Nos anos 80 e 90, India trabalhou como manequim, conhecendo grande sucesso por suas colaborações com Gap e Ralph Lauren, e suas aparições na revista Tatler. Após apaixonar-se pelo atual marido, David Flint Wood, India resolveu instalar-se nas Bahamas. E foi no cenário paradisíaco da Ilha Harbour (Harbour Island), que ocorreram os mais belos momentos de sua vida.

Em 2007, India associou-se a Crabtree & Evelyn e lançou Island Living, uma linha de produtos para o corpo e para a casa, inspirada na bucólica ilha. Capturando o mágico clima tropical, Island Living conta com produtos de excelente qualidade, entre os quais, a moderna e refrescante Spider Lily.

A grande estrela da fragrância é o lírio da aranha (spider lily), acompanhado pela flor de laranjeira, em segundo plano. O jasmim suaviza o caráter cítrico, e as folhas de palma adicionam um frescor vegetal ao conjunto. O resultado é uma eau-de-toilette incrivelmente bem executada, que conseguiu me transportar a uma praia Caribenha, aonde pude sentir a brisa salgada do mar misturada às flores, e o sol batendo na minha pele.

Eu indicaria Spider Lily a todos aqueles que desejam adicionar ao verão o exótico aroma dos mares turquesa de uma distante ilha, com um toque de glamour Britânico, of course!



Ilustrações - primeira à direita - India Hicks
~esquerda - Harbour Island, Bahamas
~segunda à direita - Lírio da aranha (Spider Lily)




26 de dezembro de 2008

Chanel N°5 - Eau Prémière


Chanel N°5 - Eau Prémière



Eau Prémière é a mais nova interpretação do legendário Chanel N°5, lançada entre os meses de Outubro e Novembro de 2008, nos Estados Unidos, e maior parte dos países Europeus.

Criada por Jacques Polge, que em 1986 venceu magistralmente o desafio de remodelar Chanel N°5 em versão eau-de-parfum, Eau Prémière é a opção perfeita para quem deseja prolongar a atmosfera de glamour dessa emblemática fragrância, aos dias quentes de verão.

A motivação do perfumista foi modernizar Chanel N°5, adequando-o a um novo perfil de consumidora. Repetindo as palavras do próprio Monsieur Polge: "A história é muito simples - Eau Prémière é para todas as mulheres que me procuraram, dizendo 'N° 5 é fantástico, mas não é para mim.'"*

O aroma é muito semelhante ao do perfume original, porém, mais suave e atual. Eau Prémière é mais leve, etérea e menos aldeídica, carregando, entretanto, a mesma aura de sofisticação e características olfativas gerais de seu predecessor.

A rosa e o jasmim, colhidos nas plantações particulares de Chanel, em Grasse, no sul da França, são igualmente presentes na nova versão. Porém, a aromática e encorpada Rosa de Maio foi substituída pelas mais brandas Rosa da Turquia e da Bulgária. O ylang-ylang das Ilhas Comores, é misturado ao neroli e aos aldeídos, unindo-se à tradicional base de jasmim e rosas, num fundo de vetiver e baunilha. O conjunto é fresco e cítrico, delicado e transparente.

Mademoiselle Chanel costumava dizer que "Uma mulher sem perfume é uma mulher sem futuro"*. O verão está aí, e 2009 bate às nossas portas. Por que não recepcioná-lo com essa fragrância que tão bem evoca a elegância dos dias passados, integrando-a à leveza dos momentos futuros? Dias futuros marcados pela delicadeza, classe e frescor de uma Eau Prémière.



*Citação de Jacques Polge - "The history is very simple - Eau Première is for all those women who came to me and said, 'No 5 is fantastic but it's not for me'"
*Citação de Coco Chanel - "Une femme sans parfum est une femme sans avenir"

Ilustração ao alto - Campanha publicitária de Eau Prémière com a atriz Nicole Kidman. Foto de Patrick Demarchelier



22 de dezembro de 2008

Fizemos bonito!!


Queridos amigos,


Saiu o resultado do Fragrantica Awards, que premiou os melhores blogs de perfumes, e eu não pude conter a minha alegria ao perceber que Perfumes & Etc obteve uma excelente colocação.

Por sermos um blog novinho, escrito por um só autor, unicamente em Português, sem o apoio de comunidades específicas, e, no meio de inúmeros blogs com muito mais tempo de estrada e recursos de divulgação, nós fizemos bonito - muito bonito! Cada ponto que recebemos, foi dado por leitores que apreciam o que compartilhamos aqui.

Compartilhar... é essa a palavra. Escrevo com um único objetivo, que é o de compartilhar uma paixão. E nessa época do ano, onde a palavra compartilhar obtém um significado ainda mais relevante, eu não poderia deixar de agradecer pelo carinho recebido.

Gostaria de parabenizar todos os outros blogs que participaram do concurso. Cada um com seu estilo, cada um com seu talento, e sua maneira de expressar um interesse comum.

Obrigada por todos os emails de apoio. Obrigada pelo caminho percorrido. Obrigada por fazer sua, a minha paixão.

Desejo a todos um feliz Natal e um excelente Hanukkah!!



Com amor,



Gaëlle.




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Nuit de Noël


Caron - Nuit de Noël


Nuit de Noël, além do nome mágico, carrega em si uma linda história de amor.

Em 1904, Ernest Daltroff abriu sua boutique no n° 10 da rue de la Paix, em Paris. No mesmo prédio habitava uma jovem modista, Félicie Wanpouille (Félice Eugenie Amelie Wanpouille), e o amor não demorou a nascer entre os dois.

Em 1906, Félicie torna-se parte da empresa Caron, colaborando com o design de frascos e embalagens, e trabalhando como diretora artística. Félicie foi também a musa inspiradora de vários perfumes da marca.

No ano de 1922, Ernest, de origem judaico-russa, resolve oferecer a Mademoiselle Wanpouille, grande apaixonada por festas de Natal, o poético Nuit de Noël (Noite de Natal).

A fragrância segue a moda do floral aldeídico, que fez furor com o lançamento de Chanel 5, no ano precedente.

A idéia inicial é de evocar uma noite de natal. No entanto, eu relaciono noites de natal européias ao cheiro de pout-pourri, ao vinho quente com canela, aos quitutes saindo do forno, enfim, a um aroma doce, temperado por especiarias. E Nuit de Noël não conseguiu me transportar ao esperado Natal gourmand. Ao invés disso, fui projetada a um inverno frio e sofisticado dos anos 20, pelo odor atalcado de rosas, íris e ylang-ylang, num fundo amadeirado de sândalo. Posso detectar um leve toque de baunilha, mas a impressão geral é um odor floral oriental aldeídico, com algumas especiarias surgindo no fundo amadeirado, e um toque de Mousse de Saxe.

Como Félicie Wanpouille, eu sou uma grande apaixonada pelo clima feérico de Natal. Tenho que confessar que a grande atração para mim não é o perfume em si, mas o nome e a história do mesmo - história que não teve o happy-end esperado.

Em 1939, Ernest viaja ao Canada, e termina por instalar-se nos Estados Unidos, fugindo da ocupação nazista.

Os dois amantes nunca se casaram, e mais de 30 anos após terem se encontrado pela primeira vez, em 1940, Félicie une-se a Jean Bergaud, e torna-se Madame Bergaud.

Porém, nenhuma guerra poderia apagar a lembrança de Natais celebrados sob o signo da paixão, e a memória de uma bela e distante Nuit de Noël.



Ilustração à direita - Christmas couple - cartão ~ cerca 1920
Ilustração à esquerda - The Night Before Christmas, de Thomas Kinkade




21 de dezembro de 2008

Quelques Fleurs



Quelques Fleurs


O ano de 1912 foi o ano das artes. Marco do início do Cubismo Sintético, tendo como representantes Picasso e Georges Braque, 1912 também foi o ano da famosa coregrafia de Nijinsky, "Afternoon of a Faun". E foi nesse clima de cultura modernista, que ocorreu o lançamento do atemporal Quelques Fleurs.

Criado pelo perfumista Robert Bienaimé para a maison Houbigant, e considerado como o primeiro multi-floral, esse bouquet aldeídico foi de uma extrema modernidade para a época.

O nome da fragrância é uma referência ao emblema da primeira loja de Jean-François Houbigant, "A la Corbeille de Fleurs", que funcionava no n° 19 da Rua do Faubourg Saint-Honoré, em Paris. Durante muitos anos, Quelques Fleurs foi o perfume mais vendido da marca, sinônimo de classe e prestígio.

Uma bela composição onde notas de rosas, violetas, lírios, flores-de-laranjeira, cravos e heliotrópio são balanceadas pela presença do ambre e da bergamota. O efeito geral é um odor doce e encorpado sobreposto a um fundo de tabaco. Eu normalmente não gosto da presença de tabaco nos meus perfumes, mas, no caso presente, as notas são tão leves, que meus preconceitos foram vencidos.

Denso, complexo, feminino e de uma opulência elegante, esse é o tipo de fragrância que atrai comentários. O poder de fixação é ótimo (mais de 6 horas, na minha pele) e um rastro floral doce paira no ar, a cada movimento.

Perfume intimista e romântico, Quelques Fleurs foi usado por um público feminino diversificado. Da clássica Sarah Bernhardt a burlesca Dita Von Teesse, de Kelly Rowland a Nicky Hilton, passando por Nicole Richie, Quelques Fleurs parece transcender diferentes épocas e personalidades.


Ilustração à direita - Frasco vintage de Quelques Fleurs
Ilustração à esquerda - Glass and bottle of Suze, de Pablo Picasso - 1912

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